A aproximação da 3ª temporada de A Casa do Dragão reacende uma pergunta central entre fãs: quem realmente iniciou a guerra civil Targaryen, conhecida como A Dança dos Dragões?
Embora mortes trágicas — como a de Lucerys Velaryon — e a confusão das últimas palavras do rei Viserys tenham alimentado o conflito entre Verdes e Negros, um momento da primeira temporada voltou ao centro das discussões. Trata-se da cena em que Alicent Hightower confronta a jovem empregada Dyana, trazendo à tona um acontecimento que moldou o destino de toda Westeros.

O crime de Aegon: o ponto crítico ignorado
Em um dos momentos mais fortes da série, Dyana admite que foi violentada por Aegon Targaryen. Inicialmente, Alicent parece acolher a garota, dizendo que “não foi sua culpa”. Entretanto, essa compaixão rapidamente se transforma em controle.
A rainha entrega a Dyana um chá-da-lua e uma bolsa de ouro, insistindo que o caso seja mantido em segredo — reforçando que ninguém acreditaria em sua palavra contra a de um príncipe. Dessa forma, o gesto, apesar de gentil na superfície, funciona como uma manutenção da impunidade de Aegon, comportamento que já vinha sendo acobertado desde sua juventude.
Como Alicent alimentou o problema
Esse momento revela como Alicent internalizou a cultura patriarcal rígida ensinada por seu pai, Otto Hightower. Desde jovem, ela foi preparada para agradar figuras masculinas e “manter a ordem” através do silêncio. A submissão estrutural moldou sua visão política, influenciando decisões cruciais — incluindo seu apoio aberto à ascensão de Aegon ao trono, contrariando o desejo explícito de Viserys de que Rhaenyra o sucedesse.

Verdes x Negros: a ruptura inevitável
A coroação de Aegon após a morte de Viserys marcou o ponto de não retorno. Alicent justificou a escolha alegando ter interpretado mal as últimas palavras do rei, mas a série deixa claro que sua motivação principal estava enraizada na manutenção de poder dentro de sua linhagem.
Esse movimento destruiu qualquer possibilidade de reconciliação com Rhaenyra, que ainda buscava uma solução diplomática no início da disputa.
Alicent: cúmplice e vítima
Mesmo sustentando o sistema que privilegiava homens, Alicent acabou sendo descartada por ele. Quando Aegon ficou ferido, nomes como Criston Cole, Larys Strong e até Aemond reforçaram que ela não poderia agir como regente por ser mulher — ignorando anos em que ela desempenhou esse papel.
Ou seja, Alicent acabou vítima do mesmo mecanismo que ajudou a defender.
A semente da Dança dos Dragões
A cena com Dyana funciona como um microcosmo das escolhas da rainha ao longo da vida: proteger homens poderosos, silenciar vítimas e reforçar tradições que excluem mulheres do poder. Esse padrão, aliado a decisões políticas críticas, pavimentou a estrada que inevitavelmente levaria ao conflito devastador retratado na próxima temporada.
Mesmo com momentos de fragilidade na 2ª temporada, o dano já estava feito — e a guerra já havia começado muito antes do primeiro dragão levantar voo.