Em 2025, o multiplayer dominou a indústria. Split Fiction virou um clássico cooperativo instantâneo, enquanto Battlefield 6 recuperou o brilho dos FPS de grande escala. Arc Raiders chegou com a mesma força que Helldivers 2 no ano anterior. Além disso, títulos como Peak e R.E.P.O. impulsionaram uma nova geração de jogos cooperativos de pequeno porte. Até a FromSoftware entrou na tendência com um multiplayer sólido. Juntos, esses lançamentos definiram o panorama dos videogames neste ano.

Apesar disso, os indicados ao The Game Awards 2025 não refletem esse cenário. Mesmo com tanto sucesso, nenhum desses jogos entrou na disputa por Jogo do Ano. Até Split Fiction ficou de fora, mesmo após o grande feito de It Takes Two, que levou o prêmio máximo há poucos anos. Essa ausência gerou insatisfação entre jogadores; o criador de conteúdo Shroud, por exemplo, disse que a premiação é “manipulada” por não incluir Arc Raiders na categoria principal.
Seguindo a mesma ideia…
Ainda assim, essa acusação não se sustenta. Historicamente, o TGA já premiou jogos totalmente multiplayer, como Overwatch (2016) e It Takes Two (2021). Outros títulos como Hearthstone, Titanfall 2, PUBG e Super Smash Bros. Ultimate também competiram ao longo da última década.
No entanto, desde o início dos anos 2020, praticamente nenhum multiplayer puro apareceu entre os indicados. Alguns jogos com componentes online, como Animal Crossing: New Horizons e Doom Eternal, entraram na lista, mas nada próximo do impacto de PUBG anos atrás. O júri claramente favorece experiências single-player narrativas, que continuam em alta.
À primeira vista, isso pode sugerir parcialidade. Os indicados realmente ficaram mais restritos, e muitos gêneros perderam espaço, como visto com Street Fighter 6 ou Forza Horizon 5, que mal foram lembrados até mesmo em categorias técnicas. Essa tendência pode indicar como o consenso se torna mais homogêneo quando o júri cresce.

Por outro lado, jogos multiplayer representam um desafio maior de avaliação. Suas qualidades dependem de fatores voláteis, como comunidade, matchmaking e até comportamento dos jogadores. Enquanto um jogo single-player pode ser analisado do início ao fim em poucos dias, um multiplayer muda semana após semana.
Considere Arc Raiders. Alguns jogadores relatam experiências cooperativas incríveis, repletas de interações amigáveis e momentos memoráveis. Porém, outros entram nas mesmas partidas e encontram apenas rivais hostis, o que resulta em uma visão completamente diferente do jogo. Isso cria um obstáculo para o júri: como separar a qualidade do título da imprevisibilidade da comunidade?

Esse mesmo dilema aparece em outros jogos. A diversão de Among Us dependeria tanto do grupo quanto da mecânica? Peak continuaria envolvente se o matchmaking colocasse você sempre com parceiros fracos? Avaliar um multiplayer exige enxergar além do momento e identificar se a experiência se sustenta independentemente das circunstâncias.
Além disso, o fator tempo torna tudo ainda mais complexo. Em uma era dominada por jogos como serviço, o título lançado no dia 1 raramente é o mesmo que existe semanas depois. A evolução constante pode elevar — ou arruinar — um jogo rapidamente.