Entrar em Silent Hill 2 pela primeira vez — conhecendo apenas o icônico Pyramid Head — foi uma experiência que me deixou claro por que esse jogo é tão cultuado até hoje. Mesmo sem buscar realismo extremo, o remake entrega cenários belíssimos, detalhados e sufocantes. A Bloober Team acerta em cheio na atmosfera: ruas cobertas de névoa, florestas densas e interiores claustrofóbicos criam um medo constante de que algo grotesco possa surgir a qualquer instante.

A ambientação funciona graças à trilha sonora impecável e aos efeitos sonoros milimétricos, que usam tanto o silêncio quanto o barulho para aumentar a tensão. O DualSense também faz diferença — vibrações e sons do controle aproximam o terror de maneira surpreendente.
O combate é simples, sem reinvenções, mas eficiente. Armas corpo a corpo acabam sendo as mais usadas pela escassez de recursos. Já os puzzles seguem a tradição da franquia: visualmente perturbadores e com níveis de dificuldade variados, ainda que alguns acabem exigindo o famoso “anda e volta” pelo mapa.
A progressão é fluida e natural — os itens encontrados apontam para o próximo objetivo sem precisar de marcações explícitas. As batalhas contra chefes não são difíceis, mas compensam pelo impacto visual e pela importância narrativa.
E é justamente na história que Silent Hill 2 alcança sua verdadeira grandeza. A cada cenário, pôster e bilhete, o jogo revela fragmentos de um sofrimento profundo — tanto da cidade quanto de James. Tudo culmina na icônica cena da fita em Lake View Hotel, um momento devastador que amarra perfeitamente a jornada.

O jogo oferece três finais iniciais, e mais cinco no New Game Plus, incluindo opções emocionais, místicas e até cômicas. O conteúdo extra adiciona novas armas e documentos que expandem ainda mais o significado da trama.
No fim, fica claro por que Silent Hill 2 é visto como um dos maiores jogos de terror de todos os tempos. É a combinação perfeita entre atmosfera, narrativa, música e tensão psicológica. Um clássico que continua perturbador — e brilhante.