Se havia algo praticamente garantido sobre O Sobrevivente (2025), de Edgar Wright, era que o final seria bem diferente daquele presente no livro de Stephen King, publicado em 1982 sob o pseudônimo Richard Bachman. O próprio Wright já havia adiantado que esta nova versão, estrelada por Glen Powell, traria mudanças significativas ao desfecho original.
Mas, surpreendentemente, apesar da “participação” de Arnold Schwarzenegger e de acenos ao filme de 1987, o longa de 2025 se aproxima mais do livro do que o esperado, a ponto de deixar no ar uma pergunta inevitável: Wright realmente adaptaria o final polêmico do romance?
No livro, Ben Richards sequestra um avião e o lança contra um prédio, algo inconcebível para um filme feito no pós-11 de Setembro. E, claro, a versão de Wright não segue esse caminho. Embora Ben embarque em um avião com intenções sombrias, a aeronave é abatida rapidamente.
Declarado morto pela mídia, ele escapa usando uma cápsula de emergência e desaparece nas sombras. Meses depois, ressurge como líder de uma rebelião e invade o estúdio para derrotar Dan Killian (Josh Brolin) durante a estreia de uma nova temporada do programa mortal.
Todo esse novo final foi aprovado por Stephen King, para alívio de Wright. Em entrevista à Entertainment Weekly, o autor elogiou especialmente o desfecho:
“Eu gosto muito do final da versão do Edgar. Não posso dizer muito – spoilers – mas acho que os leitores do romance ficarão satisfeitos porque podem ter as duas coisas. Se é que você me entende, e aposto que entende.”

Edgar Wright também comentou a reação de King. Segundo o diretor, o escritor ficou impressionado com o equilíbrio entre fidelidade ao texto original e liberdade criativa:
“[King] assistiu recentemente ao filme, e uma coisa que ele disse que adorei foi: ‘É muito mais fiel ao livro, mas diferente o suficiente para continuar empolgante para mim’. Acho que foi a melhor resposta possível.”
O final do longa é um híbrido interessante: começa de forma muito semelhante ao clímax do livro, mas logo se transforma em algo próximo do desfecho do filme de 1987. Na versão com Schwarzenegger, uma força rebelde também invade os estúdios e Richards elimina Killian diante das câmeras – algo que Wright resgata como homenagem e, ao mesmo tempo, como solução narrativa moderna.